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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Confundir críticas com racismo

Joacine Katar Moreira

Dizer que todos, os outros, são "todos iguais", que estão "todos errados", que são "todos racistas", que estão "todos contra mim", é bloqueador, além de exludente. É paralisante. Confundir crítica com preconceito é uma falácia, além de um erro. Confundir o racismo estrutural com a incapacidade própria de gerar consensos é uma fatalidade, além de ser injusto, quer com aqueles que realmente sofrem dessa condição, quer com aqueles que lutam contra ela de diferentes formas.

 

A luta pelos direitos civis, pelas liberdades e garantias e, neste caso em particular, pela igualdade, seja ela identitária ou social, deve ser feita através de organização, de diálogo, de debate e sobretudo de discussão. Uma discussão que vise a transmissão de informação e conhecimento, mais do que a afirmação de estigmas, o embate de visões estanques ou o afunilamento na personalização.

 

Qualquer líder de movimentos sociais deve começar por perceber e interiorizar que o mais importante é a afirmação do coletivo, o fortelacimento de laços e as conquistas coletivas que devem suplantar as individuais e não ao contrário, sob pena de liderar uma causa suicida. É preciso fazer barulho, é preciso agitar os grupos, é preciso conquistar espaço, mas esse espaço deve ser para todos e servir a todos e não para priveligiar a atuação de um indivíduo só, tornando inimputáveis quaisquer falhas. Essa é a estratégia do nosso adversário, aquele que acha que uns devem ter mais direitos por serem superiores, únicos e capazes.

 

Assim como numa batalha, um general competente deve entender que a sua missão não é ficar de pé no final, mas estar disposto a cair, desde que consiga poupar o máximo de vidas do seu exército, vencendo aquele embate através de uma estratégia capaz de suplantar a força bruta. A vitória coletiva é mais importante que a sobrevivência individual e a glória só se atinge pela abnegação.

 

Conduzir uma causa para um confronto às cegas, disparando para todos os lados, inclusive contra aliados que estão à retaguarda a tentar corrigir falhas, e dando o flanco ao inimigo para proteger uma trincheira, mais do que um suicídio, é uma burrice.