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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Para quem fotografa, e se alguém não o entende, quem é culpado?

 

Gregg Porteous, "Monkeys doing human stuff" on http://www.dailytelegraph.com.au

 


 

Na passada apresentação do OpenShow, no dia 14 do corrente mês, em Coimbra na Sala do Carvão da Casa das Caldeiras, esta foi a última pergunta efetuada no fim da sessão. Entre as respostas algumas foram pura e simplesmente: evasão; incoerência; incapacidade de atravessar o difícil.

 

Evasão porque, repito em algumas respostas – quem esteve presente na sessão identificará facilmente quais, ao que não são necessárias nomeações constrangedoras – se procurou o caminho fácil de se tomar a praia pelo continente, afirmando que essa questão seria transversal a todas as áreas da Arte e, por isso, não mereceria resposta, sendo que ao mesmo tempo se poderia ouvir que a produção de fotografia, juntamente com uma carreira de vida, era um ato quase fisiológico, individual e intransmissível. Ou, de outra forma, “porque sim, para mim, e não quero que ninguém entenda”.

 

Desta evasão, desta fuga ao pensamento e à reflexão, resulta a incoerência, normal de uma resposta ou uma estratégia indefinidas e inexistentes. Pouco tempo antes todos os fotógrafos, sem exceção, tinham afirmado que a fotografia era o seu meio de expressão e comunicação por excelência. Se de facto o é, como é que se pode utiliza-la sem a pretensão de conseguir chegar a alguém ou a explicar quando pouco compreendida? Assim, não estaremos mais do que na presença de um diálogo nulo, melhor dizendo, um monólogo, um ato ainda mais solitário que escrever um diário. Nesse caso, não fariam sentido as conferências, entrevistas, exibições, encontros, exposições, etc. Se um fotógrafo só fotografar para si e ninguém entender a sua linguagem uma exposição sua não será mais do que um ato narcísico de autocontemplação e bajulação. Até mesmo os escritores elaboram as suas explicações acerca daquilo que publicam, que representa apenas uma ínfima parte de tudo o que excluíram durante o processo criativo.

 

Atenção, não se confunda aqui a explicação e a reflexão do seu trabalho, bem como o diálogo e aperfeiçoamento da comunicação entre artista e interlocutor, com o esperar a legitimação da sua obra por parte de outrem. Esse campo sim, deve ser relegado para o artista, enquanto pensa no que vai, está e quer fazer e, claro, como autor daquilo que cria.

 

Mas, se não se insistir na explicação, em diversas abordagens do seu trabalho, e na sua divulgação ao público e a qualquer eventual interessado, além de um isolamento, está-se a criar uma espécie de pequena e cada vez mais restrita elite, contracorrente ao acesso democrático que a tecnologia – e veja-se que a fotografia sempre foi e surgiu como uma inovação tecnológica – proporciona por si própria.

 

Por outro lado, não consigo entender qual é o medo que o público possa suscitar ou o contacto com este, quando a obra é sustentada. Ou será que não é? Pelos vistos, em muitos casos não. Assim continuam-se a alimentar estereótipos ao que, não falar acerca de e para alguém é estar-se a isolar sobre si mesmo, não evoluindo, não ajudando ninguém a evoluir, não ajudando a própria Arte a evoluir. Não há Arte se, além de uma intencionalidade e um cunho pessoal, não houver comunicação humana. Caso contrário, todos continuaremos a ser “fotógrafos por acaso”, a fotografia valerá sempre mais que mil palavras e limitar-nos-emos a contempla-la que nem “burros a olhar palácios”, mas nunca será uma arte. Apenas uma caixa clara, ou escura, mas vazia.

 

É este tipo de discurso, que foge do percurso da dificuldade que nos faz progredir através da reflexão, da tentativa de compreender o incompreensível ao primeiro olhar, através do erro e do admitir do erro, que permite sustentar o discurso de desprezo e intolerância em relação à Arte. Este discurso faz a Arte e os processos artísticos regredirem séculos, ao tempo do artista iluminado, por uma qualquer via de comunicação, onde foi tocado por uma inspiração divina que o leva a conceber algo que ele mesmo não sabe dizer de onde vem. Um impulso fisiológico, incontrolável que passa por aperfeiçoar apenas o timing em que se carrega no botão.

O que se passou nas últimas semanas

Até parece que a produção escrita tem sido escassa ou nula. Tem sido menos intensa, mais curta e, sobretudo, menos divulgada. Atravessámos o período árido do ano onde parece que quase nada acontece, mas onde tudo foi acontecendo à nossa revelia. Falo, claro, do estado na Nação, bem como da aridez de ideias e cultura que parece evidente nos arcos do poder. E, juntando alguns pensamentos das últimas semanas, no total dão um belo texto que, além de espelhar a indignação fervilhante que carrego nas veias, esbate acima de tudo a desilusão e a vergonha por um sistema tão pouco representativo do verdadeiro país, ou pelo menos, do melhor país que ainda existe em Portugal.

 

6 de Agosto

 

Vem no Expresso de Sábado passado a notícia de que a RTP2 será descontinuada e vendida até ao final do ano, estando os conteúdos que não cabem na RTP1 já descartados de renovação. Tal questão fez-me lembrar um texto que escrevi há uns anos, quando o PSD estava na oposição e se queixava de asfixia. Este é para rir, «é apenas um humorista» que escreve. Hiperligação: “A Teoria do Polvo”

 

7 de Agosto

 

«Em 2006, o sector cultural e criativo empregava 127.000 pessoas e foi responsável por 2,8% da riqueza criada em Portugal, contribuindo mais para a formação da riqueza nacional do que, por exemplo, a indústria têxtil e de vestuário ou a indústria de alimentação e bebidas.» Hiperligação: “As artes e a cultura no fio da navalha - Jorge Barreto Xavier”

 

12 de Agosto

 

O problema é que não é só transportar bicicletas que se tornou quase impossível.

Inadmissível é que não haja praticamente linhas no Alentejo, que uma viagem de 300km que de comboio custaria 15€ e 4h40min agora custa 27€ e 6h só podendo ser feita de autocarro! Inadmissível é que a rede construída em 1900 tenha sido desfalcada, inutilizada, abandonada e perdido o fundamento para que foi construída: utilidade e mobilidade. Desde 1973 perdemos 2mil km de ferrovia e construímos 3mil km de autoestradas, para quê? Ficar a ver comboios, em casa! Hiperligação: “Viajar de comboio com uma bicicleta é cada vez mais difícil nas linhas da CP”

 

24 de Agosto

 

A RTP:

 

Existe a 1 : que passa programas da manhã como a SIC e TVI, que tem novelas brasileiras como a SIC e séries de qualidade duvidosa como a TVI, que tem três noticiários que replicam as notícias dos jornais e do canal informativo como a SIC e a TVI, que tem talk-shows como a SIC e a TVI, que tem intervalos de 12 a 15 min de publicidade como a SIC e a TVI, que compra notícias à Lusa como a SIC e a TVI, que transmite a missa como a TVI, que tem programas de vida selvagem aos sábados como a SIC, que transmite desporto e noticias desportivas que abrange apenas algumas modalidades como a SIC e TVI; que podia não existir.

 

Existia a 2: que transmitia filmes de qualidade a que poucos têm acesso nos circuitos de distribuição normais, como nenhum outro; que passava desenhos animados e séries educativas todos os dias de manhã, como nenhum outro, que não tem publicidade a não ser institucional, como nenhum outro; que entrevistava artistas, escritores e pensadores que - apesar de reconhecidos no meio - muitos ainda não conhecem, como nenhum outro; que transmite variadas modalidades desportivas com igual respeito de horários e qualidade, como nenhum outro; que transmite documentários que beliscam interesses, como nenhum outro; que cria e arrisca em programas culturais que expressam o que de melhor há na cultura lusófona em todas as áreas, como nenhum outro; que vai ser vendida e extinta.

 

Depois temos o serviço de televisão espanhola, que só em TDT tem 4 canais. Ah, e o TDT, só na fronteira tenho 40 canais espanhóis: 10 para cada 1 português (por agora, depois serão 13).

 

26 de Agosto

 

E vai-se a ver e a necessidade de rever e pensar o Serviço Público Audiovisual é um "Não-Assunto" criado para as 'Massas'. Vai na volta e até 'tínhamos' um Serviço Público Audiovisual abrangente, barato e que gerava lucro.

 

Nesse caso – e se a querem mesmo vender – só há uma hipótese: cada português deve dar 5€ para se tornar acionista da RTP/ quando a forem vender, só assim continuará nossa... Hiperligação: “O consultor António Borges e a sua equipa precisam de estudar um pouco mais que é para isso que lhes pagamos.”

 

1 de Setembro

 

Temos que reconhecer a razão onde ela está. Mais uma vez a crónica de Miguel Sousa Tavares, no Expresso de hoje. A verdade é que o país - o Governo e o Estado - é neste momento: o doente que para aliviar a dor do tiro na perna parte um braço!

 

Para esta pequenina 'elite' governativa: "Friends, always be friends"! Hiperligação: Crónica de Miguel Sousa Tavares

 

3 de Setembro

 

Ainda agora me ocorreu e gostaria de partilhar o pensamento: para quem já está e para quem vai entrar, o Ensino Superior chama-se precisamente «Ensino Superior», que por designação é algo acima da Primária ou pré-Primária que por sua vez é onde ainda podemos ser Básicos ou mesmo Primários, e por isso se chama Ensino Básico!!!

 

5 de Setembro

 

A sublinhar em: «A desistência do acto de pensar é a causa central da crise que atravessamos» e «Os jovens portugueses que quiserem ler Horácio ou Séneca terão, muito em breve, de ir para o Brasil, o que não deixa de ser irónico. Se as Cartas a Lucílio de Séneca fossem texto obrigatório no ensino secundário, a educação cívica e política dos portugueses seria de outro nível, e a recessão não teria atingido este ponto. Convém ir recordando a Nuno Crato que a matemática não resolve tudo.» Hiperligação: “Um país sem Latim”

 

8 de Setembro

 

Como português, de classe baixa basicamente, só já vejo dois caminhos de sobrevivência possíveis: ou peço um empréstimo de mil milhões entre vários bancos para montar uma cadeia de supermercados; ou emigro, para um país nórdico ou americano e peço a dupla nacionalidade e começo a descontar lá, mas sobretudo a Viver lá.

 

 

O Passos Coelhos é como aquelas pessoas que, quando o PC avaria, dão um pontapé na torre, mesmo onde está a placa mãe, na esperança de que assim ele obedeça a uma operação mal executada pelos utilizadores.

 

 

Análise estatística em Portugal:

Em 9.624.133 eleitores, somos governados por uma 'maioria absoluta' de 2.813.729 votantes, ou seja 29,24%. Democracia Representativa... Não podem dizer que o Governo não protege as minorias. (Fonte: http://www.eleicoes.mj.pt/legislativas2011/)

 

11 de Setembro

 

Já percebi o porquê de tanto desinvestimento na Educação, Cultura e Serviços Públicos: é que eles são burros, incultos e desconhecem o que governam! Portugal e os partidos do poder assinaram tratados e acórdãos que têm que honrar, pois "isto ainda não é a lei da selva, ainda não é a lei do Relvas"! Vídeo: “ESTRASBURGO: A situação da RTP”

 

 

Começa agora a contagem decrescente até 01.01.2013: Altura em que Portugal se tornará o primeiro país Europeu a violar todos os tratados até agora assinados com a União Europeia, Comissão Europeia, violando a própria constituição e mais endividado que nunca, sem possuir uma posição de interesse Nacional em nenhum sector energético, deixando de ter Serviço Público de Informação, cobrando mias impostos que no resto da Europa e retribuindo menos, sem serviços públicos de transporte que cubram todo o território e com um único bem capaz de exportar - Desempregados.

 

Acho que, depois de violada a constituição, o código civil e penal e cometidas umas quantas manobras retóricas para ludibriar as verdadeiras acções e intenções - mentindo descaradamente - é mais do que tempo para exigirmos a queda deste Governo/Estado/Sistema e mesmo as Formas Armadas não o poderão negar nessa altura! Como fundamento devem proteger o provo e a Nação como todo, bem o povo está em vias de extermínio, e sem povo não há Nação!

 

12 de Setembro

 

Manuel da Fonseca, Alentejano e escritor, disse nos tempos da ditadura: "Um homem sozinho não vale nada!". E tinha toda a razão. Isto só lá vai quando todos corrermos contra esta cambada, corruptos, burros, incultos, fascistas, extremistas, novos-ricos, sanguinários sociais e interesseiros que compõem um Sistema enorme, encabeçado por dois partidos que só subsistem enquanto ocuparem cargos de poder, repartindo a riqueza do país pelos interesses associados a campanhas e carreiras, bem como a capitais de multinacionais e regalias fiscais em fundações e empresas subsidiárias e que se estende por uma rede muito mais vasta que toca em muitas câmaras, jobs for friends, etc etc. Todo o Sistema Representativo montado na contrarrevolução mostra-nos agora que na verdade o 25 de Abril falhou, porque o povo não manda efetivamente. E o único que é eleito diretamente por este não está nem aí pouco mais ou menos preocupado com a fome, noites sem dormir, stress, falta de saúde e educação/cultura, pois ele é um dos que arquitetou e ajudou a montar aquilo que temos hoje: uma 'democracia' onde nem a Constituição, nem o código civil ou penal são respeitados ou funcionam; onde o governo maioritário é eleito apenas por 29% dos eleitores; onde a única salvação que nos resta é uma nova intervenção militar!

 

Estes, como defensores máximos da nação e do povo, já disseram que estão do nosso lado. Pare-se o país. A Europa que nos expulse, que nos tire a moeda que não é única (o salário médio de um português é três ou quatro vezes menor que o de um alemão) que façam o que tenham a fazer, pois eles mesmos vivem em parte às nossas custas, e eles mesmo nos aconselham a desrespeitar tratados (como o da garantia do Serviço Público Audiovisual), eles mesmo nomearam um ex-comissário do Goldman Sachs - que aconselhou os gregos a esconder o défice - para primeiro-ministro grego e atualmente italiano. Eu quero ser Português, mas sem vergonha de o ser e desde que ainda haja um país, uma Constituição, um território mas, sobretudo, um POVO!

 

13 de Setembro

 

Eu sei que há mais vida para além de política,- digam isso à Comissão de Trabalhadores da RTP, aos desempregados ou a quem não tem nada a perder já - mas pelo caminho que leva a política, dentro de pouco tempo arriscamo-nos a não poder ter vida de todo.