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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Uma imagem o que é?

Uma imagem o que é?

Qual é a designação

Que temos para visualizar

Através da descrição,

O que estamos a designar?

O que é uma Imagem?

O que é a Imagem?

Não sei, apesar de já ter

Visto muitas imagens.

Terei uma ideia, mas saber,

Não sei o que são imagens.

E quem sabe está enganado,

O que define não é designável

E quem acredita é enrolado

Na definição não palpável.

A imagem é muito mais

Que os estereótipos banais

Que formamos inconscientemente.

É memória e presente,

Quem sabe, o inexistente,

Que desconhecemos atualmente.

 

Até um cego saberá certamente

Que uma imagem é diferente

De uma fotografia ou memória,

Ao que tentará, da sua sabedoria,

Arranjar uma imagem oratória

Que defina esta categoria.

A dos significados não comprovados

De palavras por aferir e comprovar,

Às quais estamos agarrados

Sem nos conseguir libertar.

 

Continua a inexplicação

À inicial interrogação

Acerca da imagem.

É um truque de linguagem

Que não posso esclarecer.

Lamento não saber

Mas continuarei a procurar

Até que venha a encontrar

Algo capaz de me esclarecer.

 

João Miguel Pereirinha, 23 de Maio de 12

 

Sporting 0-1 Académica

 

  Jornais deportivos, 21 de Maio de 12


 

 

 

A Taça é nossa! E quando digo “nossa” não estão no “nossa” apenas os apoiantes da Académica/OAF, ou os conimbricenses, as tricanas (como alguns lembraram ontem) ou os “velhos” que em novos fizeram as manifestações de 69. Não, nessa pequena palavra, quase sinónimo de comunhão, estão todos os que partilham das dificuldades dos estudantes, representadas ontem, com algum custo, nas bancadas do Jamor. Ou seja, também não são só os estudantes, como também os seus familiares que tantos sacrifícios fazem para os ajudar a manter na universidade e fazer aquilo que nenhum governo pós 25 de Abril demonstrou ter vontade de concretizar: uma população formada e capaz, com massa crítica e capacidades de fazer mais e melhor pelo país.

 

Ainda bem que a taça veio para Coimbra. Primeiro para calar de imediato todos aqueles que, à boca grande e durante duas horas estiveram na RTP1 a dizer que o Sporting era o favorito, isto apesar de, para ali chegar, a Académica/OAF ter eliminado o F.C. Porto (bicampeão nacional). Segundo, para calar aqueles que continuam a passar atestados de imbecilidade a todos os estudantes e, ontem, aos apoiantes da Briosa.

 

A esses, alguns até adeptos de Marcuse e presentes na crise de 69, para quem, na altura, a Académica serviu para mostrar ao país o que se estava a passar em Coimbra, tenho algumas coisas a dizer: primeiro que tudo, os estudantes que hoje apoiam a Académica sabem perfeitamente que esta não é a mesma da década de 60 e percebem perfeitamente o que significa a sigla OAF (Organismo Autónomo de Futebol) a seguir ao nome. Segundo, onde é que estavam no ano de 1974 quando a AAC extinguiu o seu futebol “profissional” em assembleia magna, a votar a favor ou a namorar nos Jardins? Por fim, tenho a dizer que, apesar de não gostar da direção atual nem da Associação Académica nem da Académica/OAF, continua a fazer todo o sentido permanecer ao lado do clube que representa tudo o que disse acima e que, apesar de todas as adversidades ontem, depois de estar quase a descer de divisão, consegui um título e uma participação na Liga Europa com um dos cinco orçamentos mais baixos da liga.

 

Mas mais importante que isso foi o facto de, pese embora as diferenças de circunstância, conseguiu juntar tantos estudantes ou mais em torno da mesma causa que a Queima das Fitas decorrida ainda há uma semana e estes marcaram presença no estádio do Jamor. Não só pelos copos, pela farra, pelos gritos de apoio mas também para mostrar as faixas, que à imagem de 69, circularam para manifestar o descontentamento presente naquela que é hoje a classe mais baixa da sociedade, ainda mais que os “trabalhadores”, os estudantes com a garantia tenebrosa de um país sem Educação, sem Cultura, sem Civismo e sem Dinheiro! E a verdade é que, mais uma vez, ninguém conseguiu mostrar esse descontentamento na comunicação social de uma forma tão prolongada como ontem o fizeram os estudantes durante pelo menos 45 minutos.

 

Fica ainda uma nota para o trabalho jornalístico (principalmente da RTP1) desenvolvido em torno de todo o espetáculo: primeiro tomaram como ganha a taça por parte do Sporting fazendo até adivinhações do que poderia ter sido uma época inteira com Sá Pinto; como tal não estavam minimamente preparados para a derrota da equipa de Lisboa e isso notou-se na incoerência dos diretos que às 23h ainda não sabiam distinguir a Praça 8 de Maio da Praça da República em Coimbra; por fim, sumariamente, um total desconhecimento acerca da história da Académica e uma total desconsideração pela sua campanha até à final. A nota positiva vai apenas para a Antena 1 pelo trabalho desenvolvido nos minutos após o jogo.


 


Sporting 0-1 Academica por simaotvgolo12


Amando-te

Apesar de tudo, Amo-te e não sei porquê,
Há qualquer coisa que me prende a ti
E não sei bem dizer o quê.
Algo que me atrai desde que te vi,
Me suga a alma e consome por inteiro
Todo o meu corpo, por dentro e no exterior.
Ainda bem que era bom rapaz e solteiro
E não fui para missionário ou prior.
Caso contrário, arderia no inferno
Por cometer o pecado morta e carnal
Merecedor do calor ofegante do fogo eterno.
Mas o amor é incerto, inseguro e matreiro,
Um poço sem fundo de defeitos e pouco saudável,
Por vezes, é também um vício incurável
Que nos faz adorar até um puro rafeiro.
É como qualquer criação Humana, imperfeita,
Por isso Deus também nos ama, incondicional
E sem olhar aos defeitos que qualquer um rejeita.
Porque também ele, enquanto ser ficcional
Tem a sua dose surreal de imaturidade.
Por isso cresce criminoso, cheio de cumplicidade,
Dentro deste peito aberto e desprotegido.
Amo-te, já sem condições, depois de perdões
E horas de conversas, brigas, discussões.
Que venham as pazes, o aconchego apertado
De um abraço sentido e um beijo bem dado.
Que venham os passeios de mão dada
E as noites mal dormidas sob a Lua amarelada.
Que venham os ciúmes da colega de trabalho
E os aconchegos e incentivos quando falho.
Seriam mil as razões para não amar
E seria fácil partir, fugir, zarpar
Para não ter que enfrentar esta inundação
De sentimentos. Mas é irracional o furacão
De oxigénio que nos faz implodir o pulmão
Quando respiramos o odor inebriante da paixão.

 

João Miguel Pereirinha, 20 de Maio de 12

Processo

Este processo interminável

da tua vontade, insondável,

em não definir com claridade

a bruma poeirenta da tua lealdade

começa a tornar-se insuportável.

 

João Miguel Pereirinha, 17 de Maio de 12

Vamos viajar sem rumo

Eu bim a Biana - Tete Franco


Vamos viajar sem rumo ou destino

Para completar. Como atirar no mar

Uma pedra sem intenção de alterar

O seu eterno ondular. Fazer o pino

E mudar de perspetiva

Em relação ao horizonte.

Vamos ter força e iniciativa

P’ra criar um hino e beber da cede

Do peregrino que caminha sem sessar.

Saltar do trapézio e cair, sem rede.

Vamos navegar, andar à boleia

Das emoções e até voar

Por entre os céus. Cair na teia

Infinita de ligações do universo

E levantarmo-nos novamente

Para escrever apressadamente,

Qual Camões ou Pessoa, um verso

Sobre esta aventura improvisada.

Bora viajar sem rumo ou morada.

 

João Miguel Pereirinha, 14 de Maio de 2012

Os dois A's

 Nan Goldin 


 

Por mais que me esforce, não sei dizer

O que é realmente a amizade,

Muito menos o amor.

Nem sei, a boa verdade,

Se são coisas diferentes de descrever.

Embora procure, sem pudor,

Respostas em várias direções

A única coisa que consigo

São sempre mais interrogações.

Sei que são tão bons para o amigo

Como úteis para o inimigo

E, de igual forma nos fazem sorrir

Como nos podem destruir.

São múltiplos e variados

E também nos fazem sentir,

Muitas vezes, desajustados.

É redutor dizer que são complicados!

Dos dois já me embebedei

E tenho também ressacado,

Continuando sem saber onde comecei

E onde ficou tudo acabado.

Tenho lido muitas definições conceitos,

Lido romances e analisado feitos.

A conclusão a que chego é nenhuma

Ficando apenas a bruma

Característica da incerteza.

Há quem ame por beleza

E há os amigos incondicionais,

Tudo coisas irracionais

Mas, no fundo, tão naturais.

Este poema o que acrescenta?

É só uma merda sem sentido,

Palavras em fundo perdido

Mais inúteis que uma ementa.

 

João Miguel Pereirinha, 10 de Maio de 12

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