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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Como Chumbar o "ACTA"

Para explicar o problema e tudo o que dele pode derivar permito-me parafrasear aqui um post do eurodeputado Rui Tavares:

 

É preciso votar contra o Acordo Comercial Anti-Contrafacção e impedir o fim da privacidade online.


Deixo aqui um PDF que desmonta o acordo e que mostra como ainda vamos todos a tempo de fazer com que não ele passe em sessão plenária no Parlamento Europeu: ANTI-ACTA.

 

E um vídeo que resume bem o problema:


 

Publicado em http://ruitavares.net.

Os Pastores

 

"Still deprived of most modern commodities, an old man warms up the night at his fireplace", em João Pedro Marnoto - Photography

Agora que o nosso 1º Ministro vem a público – num discurso de uma cerimónia oficial – dizer que os portugueses não podem ser “piegas”, que não podemos continuar a “arranjar desculpas para o aluno que tem maus resultados” ou “para o professor que não fez o seu trabalho”, decido passar para aqui uns apontamentos que fiz há uns meses acerca desta política e ideologia de que nem tudo pode ser para todos, nem todos podemos ter tudo, nem todos podemos ser felizes ou nascemos para certas tarefas ou atividades reservadas apenas para os mais iluminados e capazes de financiar-se por si próprios. Ou seja, o regresso a certas ideias que esperávamos que tivessem sido erradicadas mas que afinal estavam plantadas em algumas mentes com uma certa ideia de país, e pelos vistos pegaram e floresceram ao ponto de estarem hoje a governar de novo. Nem vale a pena questionar a formação parca, que muitos os que praticam tais ideias acabam por ter. Adquirida nos corredores do cacique e escondida atrás de uma experiência em obra feita “a posteriori”, um efeito retroativo dos lugares conquistados/comprados ao longo de anos de militância devota.

 

Estamos pobres. Uns financeiramente, outros apenas de espírito e a grande maioria, diga-se, de ambas as coisas. Os estados venderam-se aos mercados financeiros e basearam as suas economias numa teoria de especulação retroativa e sem controlo algum. A Humanidade já viveu até aqui 2 revoluções industriais, e acredito que estamos a viver 3ª; viveu um “crash” da bolsa em 1929, ou dois se considerarmos que foi isso que aconteceu em 2008; o mundo já foi dividido umas quantas vezes em extremos ou interesses e as divisões foram novamente desfeitas (nem todas); já se assistiu a inúmeras ascensões e quedas de diversos regimes e formas de organização social. Mas, e mais uma vez, parece que estamos a chegar ao esgotamento do atual modelo (principalmente económico) que governa a maioria do mundo (ou todo) e que até aqui, para quem puxa os cordelinhos, é considerado o melhor. E no fundo, crua realidade, estamos pobres, somos pobres, não temos nada que possamos considerar para sempre nosso, devemos aos bancos, que por sua vez devem a outro qualquer, etc.. E depois há os iluminados, como creio que se considera o próprio Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, que acha que o caminho é só um: sermos pobres e felizes com isso. Ou seja, se não podemos correr a maratona, que fiquemos contentes por ser aqueles que dão águas aos que o podem fazer.

 

 

 

Comentando "Liberdade sem cultura e sem educação?"

banksy, outdoors

  banksy, outdoors 


 


Depois de ler este texto de Céu Mota no "Aventar.eu" eu ia comentar. Mas afinal saiu um novo post:

 

Na primeira aula que tive sobre totalitarismos – na cadeira de Culturas Contemporâneas lecionada pelo Historiador Rui Bebiano [aterceiranoite.org] – a primeira distinção que fizemos foi entre este modelo e um simples sistema ditatorial regido pela força. Essa consiste no facto de no primeiro haver uma clara pretensão em escravizar as almas, além dos corpos, e em levar a sua ideologia a toda a extensão do território, sendo que violência tem uma base de legitimação em prol da ideologia em implementação. A melhor forma de escravizar as almas, e ajudar à criação de um (homem) novo rumo é: controlando e limitando o acesso à cultura; dilacerando a educação e torna-la mais próxima dos ideais que vêm de cima por fim a moldar as futuras mentes; censurar e controlar os meios de comunicação e criar um meio propagandístico dos ideais impostos.

Ora, sem querer ser alarmista ou dramático, permitam-me a análise atual:

  1. Não existe ministro da cultura, e o secretário de estado que faz o seu turno pouco ou nenhum poder tem. O pouco que tem deitou-o para o lixo e substitui-o por um pin na lapela do blazer, à imagem de toda a trupe do governo que diz agir em nome do “interesse nacional” – recordo aqui que também Lenine, Mussolini e Hitler assim o afirmavam quando no poder, e os dois últimos chegaram lá por via constitucional.
  2. Há efetivamente mais professores desempregados, a receberem menos e em situações cada vez mais precárias, isto inclusive nos quadros mais preparados e que mais investiram na sua formação. Quer dizer, não deveriam ser estas pessoas a ensinar, não deveriam ser os que mais investiram ou que mais anos têm de experiência o garantir da qualidade, da competência e do rigor do conhecimento transmitido às gerações mais novas? Ou são estes incómodos às novas implementações?
  3. Por novas implementações podemos falar de uma reestruturação e desfalcamento, não tem melhor designação, do plano curricular que tem como base afunilar cada vez mais os conhecimentos e competências das novas gerações, através da supressão de inúmeras disciplinas, especialmente as relacionadas com o desenvolvimento de aptidões e sensibilidades para a cultura, artes e humanidades.
  4. Neste momento temos todos os meios de comunicação, ou grande parte dos de maior envergadura – dos mais pequenos nem vale a pena falar pois nunca, neste país, foram ou conseguiram ser totalmente independentes do poder local ou central nem das influências de capital – vergados às vontades e disseminações de um executivo que tenciona ser o primeiro país europeu a suprimir o serviço público de informação, privatizando-o, fazendo desvalorizar todo o sector. A título de exemplo disso vejam-se os sucessivos despedimentos das diversas redações, bem como a situação de precariedade a que são contratados novos quadros para que dessa forma, mal pagos mas gratos pelo emprego, pouco ou nada incomodem a linha editorial. Isto para não mencionar a situação de censura posterior e a priori feita recentemente no caso da Antena1.

Se ainda ninguém reparou como isto está tão mal, então é porque o plano está a dar resultado.

Infelizmente, o atraso já vem de trás

"(…) em 1564 seríamos o único país católico em que as decisões do Concílio seriam promulgadas integralmente com força de Lei. A ação repressiva da Inquisição, a produção ideológica e o esforço pedagógico dos Jesuítas, e o corpus normativo decorrente da legislação tridentina moldam, assim, uma nova ordem cultural (…)."

 

In Nery, Rui Vieira, História da Música - sínteses da cultura portuguesa, 2ª edição, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda,  [p.47]

 

 

É favor substituir:

 

“1564” por 2012


“católico” por europeu


“Concílio” por memorando


“Inquisição” por troika


“Jesuítas” por partidos do governo