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Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Vetores da Inutilidade

Poesia, Atualidade, Crítica, Opinião, Artes e Cultura. Um blog por João M. Pereirinha

Os Bons Momentos

Contigo ao meu colo sentada

Não dá para pensar em mais nada,

Fizeste a minha vida girar

Numa onda onde me deixei afogar.

 

Aos poucos descobres o decote

E eu deixo cair a espada e o capote

Que me punham à defesa,

Deixo-me levar pelo deslumbre dessa beleza.

 

As tuas pernas são pecado

Do diabo nos jardins de Deus.

Os meus lábios encontram os teus

E o teu corpo entende o recado.

 

Paixão, calor, agressividade…

Tudo aumenta! Vividos de verdade,

Os bons momentos, deixam (sempre) Saudade.

 

João Pereirinha

28 de Junho de 2010

Em Viagem

Com um terço na mão

E na outra o coração,

Sem parar

Por um segundo,

Viajo neste mundo

Com muito pouco

Para mostrar.

Tento tudo aproveitar

E de pensamento oco

As experiências guardar.

 

João Pereirinha

18 de Junho de 10

Quietude

Parado onde não devia

Estar, com desejo

De viajar pela via

Dos sonhos. Vejo

A passar, no horizonte,

O mar, a terra e a ponte

Para nos ligar

Em qualquer local.

Estás longe, de momento,

Mas não tem mal,

Porque a distância real

É a do pensamento

Que só não pode encurtar

O tempo a demorar

Em passar.

João Pereirinha

16 de Junho de 2010

Reencontro

 

Com os pés gelados

Da água do mar

Continuo a caminhar.

Olha p’ra todos os lados

Na esperança de encontrar

 

Um sinal claro de ti aqui.

Não os há. De ti,

Ou alguma semelhança,

Nada consigo vislumbrar,

Mas, continuo, na esperança

De te reencontrar,

Quem sabe, mais adiante,

Numa onda espumante

De sentimentos e momentos

Bem assados no areal.

Na barreira do real e irreal,

 

Confundo visões e pensamentos

Com a paisagem à minha frente,

Mas continuo. Fiel e crente

De que te irei encontrar,

Seja na areia ou no mar,

A nadar ou na toalha a bronzear

O corpo ou a ler uma revista…

Enquanto tiver olho, e à vista

Um horizonte, a minha conquista

Só terminará num pôr-do-sol radiante,

Contigo a meu lado, como amante,

E o mar como testemunha ocular

Do amor que a areia suportar.


João Pereirinha

14 de Junho de 2010

Despedida

Na solidão do meu recanto

Escrevo coisas, e canto

Músicas que me lembro de cor,

Talvez assim alivie a dor

De não te ter aqui por perto.

Triste, triste é a despedida

Que tenho que aceitar

De peito todo aberto,

Engolindo os soluços da partida

Que teimam em chorar.

Não gosto, mas antes soluçar

Numa despedida marcada,

Que numa inesperada.

E no recanto, só, a chorar,

Só uma coisa me faz parar,

A esperança de em breve te encontrar.

João Pereirinha

13 de Junho, 2010

Instigação do Jeito

 

Tudo serve de inspiração

Quando se tem uma caneta à mão.

Basta escrever o que vai na alma,

 

Não ter pressa e fazer tudo com calma,

Depois as rimas e os versos saem

Tranquilamente. As palavras caem

Sobre a folha, libertas do pensamento

 

E ansiosas por serem lidas.

Estas formam poemas que, no momento,

Espelham mensagens a serem retidas.

A alma de um poeta é como uma ferida

Que jorra litros de memórias,

Sentimentos lutas, amadurecidas,

Mas que não se conseguem estancar.

Deita tudo cá para fora, tristezas e glórias,

 

Alegrias e derrotas já vividas.

Por dentro dói, mas não para de jorrar.

 

João Pereirinha

09.06.10

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